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Danilo Silva Pinto

Segundo pesquisa de uma consultoria de São Paulo, Valparaíso está entre as 100 melhores cidades para se investir no Brasil. Com localização estratégica, próxima à capital federal e situada na passagem para o sudeste do país, e apresentando um crescimento populacional muito acima da média nacional, Valparaíso tem atraído investidores em comércio, indústria e serviços.

Além da forte indústria da construção civil, responsável pela geração de empregos em obras espalhadas por toda a cidade, grandes empresas industriais e comerciais buscam o município. Um exemplo é a loja da Havan, rede de lojas de departamentos que será inaugurada nos próximos dias e com um investimento de R$ 35 milhões irá gerar 200 empregos diretos.

Somente este anos, 400 novos empreendimentos foram iniciados na cidade, a maioria na construção civil, indústria moveleira e comércio. A expectativa da população é com a geração de empregos, já que grande parcela dos moradores da cidade se desloca diariamente para trabalhar em Brasília, enfrentando congestionamentos e um transporte coletivo caótico. A Prefeita de Valparaíso Lucimar Nascimento lembrou a importância da geração de empregos. “Nós temos uma população que precisa de emprego e a chegada desses grupos econômicos na cidade gera empregos pra nossa população”.

Apesar da euforia, Valparaíso ainda precisa enfrentar grandes desafios, principalmente em infraestrutura e segurança pública. Segundo dados da prefeitura, apenas 30% da cidade possui rede de esgoto e 40% das ruas não são pavimentadas. Na área de segurança a falta de policiais e de investimentos do Estado de Goiás em segurança gera uma sensação de vulnerabilidade que incomoda a população.

Vamos esperar que a chegada de tantos investimentos e o crescimento econômico possam se refletir em melhoria da qualidade de vida da população, tanto pela geração de emprego e renda quanto pelos investimentos em infraestrutura, segurança e serviços públicos de qualidade.

Fonte: G1

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Danilo Silva Pinto

A campanha pela redução do IPI para bicicletas vem ganhando corpo em todo o Brasil e pretende pressionar o Governo a atender ao pleito de ciclistas e usuários eventuais, por preços mais acessíveis ao veículo que pode reduzir o caos no trânsito, além de melhorar a qualidade de vida do brasileiro

Lançada no início de novembro, a campanha Bicicleta Para Todos busca a redução total do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as bicicletas. Com o apoio de dezenas de associações e entidades ligadas à produção de bicicletas e mobilidade urbana, a iniciativa surgiu através de um estudo encomendado pela Aliança Bike – associação de fabricantes e importadores –, que mapeou economicamente o setor.

O estudo, com mais de 80 páginas, identificou que mais de 70% do preço de uma bicicleta é composto por impostos. Para carros, o percentual fica em 32%. Além disso, os dados coletados no estudo apontam que, se o IPI das bicicletas, que hoje é de 10%, for totalmente reduzido, as vendas formais do produto teriam um acréscimo de 11,3%.

Aproximadamente 70% do preço médio de bicicletas no Brasil são impostos

O estudo “Análise econômica do setor bicicletas” realizado pela Consultoria Tendências, identificou que a alta carga tributária mantém 40% da produção nacional de bicicletas na informalidade. O estudo indica ainda que o Brasil é o 3º maior produtor mundial de bicicletas, perdendo apenas para China e Índia, no entanto, ocupa apenas a 22ª posição no ranking de consumo per capita deste transporte. Já o IBGE afirma que 40% dos usuários de bicicletas como meio de transporte no Brasil possuem renda familiar de até R$ 1200,00 mensais. Ainda segundo o IBGE, somos o 5º maior consumidor de bicicletas no mundo, mas ficamos apenas em 22º no consumo per capita de bicicletas.

Para Augusto Machado, um dos organizadores da campanha e integrante do site euvoudebike.com, “O primeiro passo é refletirmos sobre um dos grandes problemas do nosso século, que é a mobilidade urbana. E um dos maiores causadores desse problema é o meio de transporte baseado em automóvel”.

Para ele, é contraditório o governo federal adotar uma política de redução e isenção de IPI para automóveis – como vem sendo feito sucessivas vezes desde a crise econômica de 2008 – e não estimular, também, a venda de bicicletas através do mesmo mecanismo. “É um contrassenso, pois sabemos que a bicicleta é uma das ferramentas para melhorar a mobilidade urbana”, comenta.

Segundo publicação no site sul21.com.br, até agora, a campanha já obteve mais de 25 mil assinaturas para um abaixo assinado e cerca de 20 mil visualizações no YouTube. A intenção é se obter mais de 100 mil apoios para levar o pleito às instâncias de poder de Brasília.

O lançamento da pesquisa com os dados que motivam a campanha ocorreu na Capital federal e contou com a presença de líderes políticos. Augusto Machado informa que, entre várias casas legislativas pesquisadas no país, existem pelo menos 30 projetos de redução de impostos sobre bicicletas que não tramitam. No próprio Senado Federal, pelo menos dois textos – dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE) estão há mais de um ano parados na Comissão de Assuntos Econômicos.

Para o cicloativista e vereador de Porto Alegre Marcelo Sgarbossa (PT), a redução de IPI sobre as bicicletas é uma forma de atrair novos usuários e, também, de garantir que quem já adota esse meio de transporte o utilize com mais conforto e segurança. “Quem começa a usar bicicleta diariamente, começa a perceber o quanto é importante ter um equipamento minimamente razoável, com freio bom e pneu que não fure a todo momento. Para isso não existe milagre, custa dinheiro”, afirma.

Ele acredita que a redução de impostos pode permitir o acesso a bicicletas de qualidade que, hoje em dia, são mais caras. “Não é com uma bicicleta de R$ 150 vendida em supermercado que o usuário vai ter todo conforto e segurança necessários”, avalia.

Apesar das vantagens sociais da redução do IPI para bicicletas, existe um fator que pode dificultar a aprovação do projeto. A perda fiscal do Governo com a redução de IPI para carros é compensada, continuamente, através da arrecadação sobre a alta carga tributária sobre os combustíveis. Desta forma, o Governo apenas trocou uma receita única por uma continuada. Por não consumir combustíveis, as bicicletas com IPI reduzidos significariam apenas uma redução na arrecadação, sem retorno real para os cofres do Estado. Apesar disso, o incentivo ao uso de bicicletas pode trazer de volta a arrecadação dos fabricantes informais, que segundo mencionado acima somam 40% no Brasil. Outra vantagem será a redução da necessidade de investimentos em infraestruturas urbanas, já que o aumento do uso da bicicleta poderá retirar muitos carros das ruas e desafogar o trânsito caótico das grandes cidades. Resta saber se vai existir vontade política para que alguma ação concreta seja evidenciada, no sentido de facilitar o acesso à bicicleta, com custos mais realistas para o ciclista.

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A questão é que, quando uma grande economia investe nesse ritmo para criar empregos e riqueza, possivelmente não obterá retorno de grande parte dos investimentos

O editor de economia da BBC, Robert Peston, investigou como a desaceleração econômica da China pode levar a uma “terceira onda” da crise econômica que abalou o mundo em 2008. Além do artigo abaixo, o resultado desse trabalho é a reportagem especial “How China Fooled the World” (“Como a China enganou o mundo”, em tradução livre), transmitido no Reino Unido pelo canal de TV BBC 2 nesta semana .

Poucas pessoas já ouviram falar da cidade chinesa de Wuhan. Mas ela, mais do que qualquer outra cidade do país, evidencia como as três extraordinárias décadas de modernização e enriquecimento da China, bem como seu milagre econômico, parecem estar perto do fim – e por que isso traz um sério risco para os mercados mundiais.

O prefeito de Wuhan, Tang Liangzhi, está gastando o equivalente a quase R$ 800 bilhões em um plano de desenvolvimento de cinco anos que tem como objetivo transformar a cidade – que já tem 10 milhões de habitantes – em uma megametrópole mundial capaz de disputar com Xangai o posto de segunda maior cidade do país.

O ritmo dos gastos em Wuhan é impressionante: estão em construção centenas de edifícios residenciais, anéis viários, pontes, ferrovias, um sistema de metrô e um aeroporto internacional. O centro da cidade está sendo demolido para dar lugar a um centro comercial, incluindo um arranha-céu de mais de 600 metros de altura que custará R$ 11,9 bilhões.

A reforma de Wuhan serve para contar uma história mais ampla. Nos últimos anos, a China construiu um novo arranha-céu a cada cinco dias, mais de 30 aeroportos, sistemas de metrô em 25 cidades, as três pontes mais extensas do mundo e mais de 9,6 mil quilômetros de rodovias de alta velocidade, além de empreendimentos imobiliários comerciais e residenciais em larga escala.

Há duas formas de enxergar esse movimento: trata-se, é claro, de uma modernização necessária em um país que se urbaniza rapidamente. Mas é também um sintoma de uma economia desequilibrada, cujas recentes fontes de crescimento não são sustentáveis. Associada às recentes tensões nos mercados financeiros, a desaceleração econômica chinesa pode ser vista como uma terceira onda da crise iniciada em 2007 e 2008 (a primeira foi a crise em Wall Street e na City de Londres; a segunda, a da zona do euro).

Estímulo

Em 2008, após o colapso do banco Lehman Brothers, o mundo presenciou um encolhimento dramático do comércio mundial. Isso foi catastrófico para a China, que tinha um crescimento muito dependente das exportações ao Ocidente. Quando as economias ocidentais pararam, diversas fábricas chinesas foram paralisadas. Na ocasião, a BBC testemunhou hordas de migrantes chineses pobres sendo forçados a voltar para suas aldeias. A situação alarmou o governo e ameaçou o acordo implícito entre o Partido Comunista e a população chinesa, que abriu mão de direitos democráticos em troca de prosperidade econômica.

Como resposta, o governo chinês lançou um pacote de estímulo de dimensões gigantescas – o equivalente a R$ 1,5 trilhão de gastos estatais diretos – e instruiu que bancos “abrissem a carteira” e emprestassem dinheiro como se não houvesse amanhã. A estratégia funcionou, a seu modo. Enquanto muitas das economias ocidentais e o Japão estagnaram, a China viveu anos de grande expansão, retomando o crescimento na casa dos 10% anuais. Mas as fontes de crescimento eram limitadas e, desde então, mudaram.

Excessos e crédito

Mesmo antes do pacote de estímulo, a China investia a taxas maiores do que quase todos os demais países na história. Antes da crise de 2008, o investimento estava em torno de 40% do PIB, três vezes mais do que a maioria dos países desenvolvidos. Após a crise, graças aos estímulos e às obras de infraestrutura, os investimentos subiram para 50% do PIB, um nível sem precedentes, e ali continuaram.

A questão é que, quando uma grande economia investe nesse ritmo para criar empregos e riqueza, possivelmente não obterá retorno de grande parte dos investimentos – que são muito maiores do que qualquer decisão racional dos empresários. É por isso que a China tem vastos empreendimentos imobiliários – ou mesmo cidades inteiras – com luzes que nunca foram acesas e com estradas que mal foram percorridas por veículos. O que torna tóxica uma grande parte desse investimento é seu financiamento: uma explosão nos empréstimos. A proporção das dívidas chinesas em relação ao PIB tem crescido rapidamente.

A analista Charlene Chu, que era da agência Fitch, explica a fartura de crédito: “A maioria das pessoas sabem que houve uma grande expansão de crédito na China, mas não conhecem sua dimensão. No começo de 2008, o setor bancário chinês tinha um tamanho em torno de US$ 10 trilhões. Agora, tem entre US$ 24 e 25 trilhões. Esse aumento é equivalente ao total do setor bancário comercial americano, que levou mais de um século para ser constituído”.

O Ocidente aprendeu a duras penas os perigos de um sistema financeiro que cria muito crédito rapidamente. Além disso, no caso da China, boa parte dos endividamentos está oculta, financiada por instituições chamadas de “shadow banks” (bancos sob a sombra, em tradução literal), à margem do sistema financeiro tradicional. Não há exceções na história das finanças: conceder empréstimos nessa escala faz com que os devedores não consigam quitar suas dívidas e implica em grandes perdas aos credores. A questão não é se isso vai acontecer, mas quando e qual a dimensão dos seus efeitos. É por isso que vimos alguns episódios recentes de estresse nos mercados financeiros chineses, o que pode prenunciar problemas mais graves.

Perigos

Quando o crescimento é gerado por um grande período de investimento lastreado em dívida, há dois desdobramentos possíveis: se essa grande expansão é encerrada cedo o bastante e de modo controlado e a economia é retomada de maneira sustentável, ocorre uma retração econômica, mas desta forma evita-se um desastre. No entanto, se a concessão de crédito passa dos limites, uma crise se torna inevitável. Então, qual será o desfecho do milagre econômico chinês?

O governo anunciou reformas que, em tese, podem reequilibrar a economia nos próximos anos ao trocar o investimento baseado em crédito por outro baseado no consumo. Mas as reformas estão em estágio inicial, e a concessão de crédito continua. E mais: a atual explosão de investimentos nos setores imobiliário e de infraestrutura tem gerado tantos lucros a milhares de autoridades do Partido Comunista que há dúvidas quanto à habilidade do governo central em implementar mudanças.

Além disso, existem as consequências sociais: um crescimento econômico mais lento pode não ser suficiente para satisfazer a ânsia dos chineses por mais empregos e um padrão de vida melhor, algo que pode desencadear protestos populares. Mas e se a bonança de crédito não for contida? Poderíamos estar diante de uma crise que chacoalharia não apenas a China, mas o mundo inteiro.

O recente crescimento chinês deu forma ao mundo como o conhecemos hoje: propiciou aos ocidentais a compra de produtos baratos e, para países exportadores (como o Brasil), a venda de commodities. O outro lado é que os preços mundiais dos alimentos e da energia subiram e a influência chinesa no resto do mundo mudou o equilíbrio de poder global. Será que uma China enfraquecida traria benefícios ao Ocidente? Talvez não fosse algo totalmente ruim. Mas uma China repentinamente incapaz de prover o crescente padrão de vida esperado por seu povo seria um país mais instável – e também mais perigoso.

BBCBrasil.com

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Fonte: lugarcerto.com.br

Apesar da diminuição, a capital federal tem o segundo maior preço do metro quadrado dos imóveis no Brasil: R$ 8.146

Brasília foi a única cidade brasileira – entre as 16 pesquisadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) – a ter recuo no preço do metro quadrado dos imóveis no país.

De acordo com o órgão, foi constatada uma diminuição de 0,31% em janeiro desse ano em relação a dezembro de 2013. Com a atualização, um imóvel de 100 m² em Brasília está avaliado em R$ 814 mil, em média.

Apesar do recuo, o preço médio do metro quadrado na capital federal é de R$ 8.146, o segundo maior do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro, cujo valor médio ficou em R$ 10.250 reais. Na maior cidade do país, São Paulo, o preço médio do metro quadrado chegou a R$ 7.839.

Pelo Índice FipeZap, em 2013, os preços de imóveis em Brasília tiveram o menor aumento entre 16 cidades brasileiras pesquisadas: 4,2%. No ano passado, o valor médio do metro quadrado no país cresceu 13,7%, bem acima da média na capital.

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Enquanto a maior parte dos principais indicadores econômicos tem se deteriorado nos três primeiros anos do governo Dilma Rousseff, o mercado de trabalho permanece uma exceção, de acordo com dados de diversas fontes, estatais e privadas.

A renda da população teve um crescimento real (acima da inflação) acumulado de 2,6% em 2011, 3,2% em 2012 e outros 3,2% no ano passado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na média anual, portanto, o ritmo de crescimento da renda no governo Dilma é de 3%, o que dá mais que o dobro do registrado durante o período do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva (1,3% ao ano). Isso aconteceu porque, no primeiro ano do ex-presidente, a renda caiu mais de 10%, puxando para baixo a média dos seus oito anos.

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Não é possível comparar com o governo Fernando Henrique Cardoso porque o IBGE mudou a metodologia da pesquisa em 2002.

A série histórica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em São Paulo, no entanto, é mais longa. Ela registra que, na média anual, a renda no governo Dilma cresceu mais do que nos dois mandatos de Lula e do que no segundo de Fernando Henrique Cardoso. Por outro lado, avançou em ritmo mais lento do que na primeira gestão de FHC e no período Itamar Franco.

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Sempre que cito algum dado sobre o crescimento da renda, boa parte dos leitores diz que seu próprio salário não subiu e que, portanto, os dados estão errados ou manipulados.

Isso acontece provavelmente porque tais leitores devem ser de classe média. O aumento real da renda praticamente só ocorreu na classe baixa (e provavelmente na altíssima, que tem tão pouca gente e por isso não aparece nas pesquisas). Um estudo do próprio IBGE, por exemplo, mostrou que o rendimento da população com nível superior subiu só 0,7% de 2003 a 2012, enquanto o dos que têm até oito anos de estudo aumentou 37%.

Uma pesquisa da consultoria Mercer, citada neste blog, constatou que, nas grandes empresas privadas do país, somente os profissionais de nível operacional (o mais baixo da hierarquia) tiveram aumento salarial acima da inflação em 2013.

Para quem não acredita em pesquisas, nem estatais nem privadas, sugiro fazer o seu próprio levantamento. Tente se lembrar de quanto uma faxineira, um pedreiro ou um pintor cobrava pelo dia há três anos e veja quanto eles cobram hoje. Pergunte ao síndico do seu prédio qual foi o aumento dos porteiros. Caso ande de ônibus, pergunte ao cobrador qual foi o dissídio da categoria.

Desemprego

taxa de desemprego é outro indicador de que o mercado de trabalho continua aquecido. Ela ficou em 5,4% em 2013, segundo o IBGE, sendo o menor valor desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, em 2002.

O Dieese, que usa outra metodologia, apontou que o desemprego foi de 10,4% em São Paulo no ano passado, a menor desde 1990.

Uma observação a ser feita é que, nos últimos meses, o desemprego tem caído não por causa o aumento do emprego, mas porque o número de pessoas que procuram trabalho está diminuindo.

Segundo o IBGE, em março de 2002, 76% da população que estava fora do mercado dizia não ter interesse em trabalhar. Hoje, 91% afirmam não querer emprego. Não se trata necessariamente de preguiça. Entre essas pessoas, há aposentados e menores de 18 anos, além de donas de casa.

Uma hipótese é de que o envelhecimento da população e o desejo de cada vez maior dos jovens de estender os estudos podem ter contribuído para o aumento da população que não deseja trabalhar. De qualquer maneira, se elas não querem um emprego, não podem ser chamadas de desempregadas.

Quanto menos pessoas estão disponíveis para o mercado, maior a chance de os trabalhadores conseguirem reajustes, pois a disputa por cada vaga fica menor. A população chamada de “nem-nem”, que não estuda nem trabalha, contribui, indiretamente, para o aumento da renda dos demais.

Nos próximos meses poderemos ter uma noção melhor do mercado de trabalho, quando saírem os próximos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (chamada de Pnad Contínua), bem mais ampla que a atual Pesquisa de Emprego. Ela cobre mais de 3.000 cidades do país, enquanto a atual abrange apenas seis regiões metropolitanas.

Perspectiva

O bom momento do mercado de trabalho é ameaçado pelo menos por dois fatores. Primeiro, a alta do dólar torna o preço das mercadorias importadas mais caro. Dessa forma, os assalariados tendem a perder poder de compra.

Em segundo lugar, por causa do aumento da inflação, o Banco Central tem elevado sua taxa básica de juros. Com isso, as empresas ficam menos estimuladas a investir na produção (uma vez que podem ganhar mais com aplicações financeiras) e dessa forma a geração de empregos fica comprometida.

O aumento de juros também afeta o consumo. O crediário fica mais caro e, se o as empresas vendem menos, tendem a contratar menos ou até demitir trabalhadores.

O lado positivo é que o real mais fraco tende a ajudar a indústria nacional na competição com a estrangeira – mesmo que as máquinas importadas fiquem mais caras, os salários ficam mais baixos quando medidos em dólares. A questão agora é se o ganho das empresas com o câmbio vai ser suficiente para traze investimentos e compensar as incertezas do mercado e o custo gerado pelo aumento dos juros.

* Atualização:

Notei que o IBGE destacou no texto de apresentação da Pesquisa Mensal de Emprego um número diferente do que eu usei. A instituição diz que a renda média no ano passado foi 1,8% maior do que em 2012. Ela somou a renda média de todos os meses de 2013 e dividiu por 12. Fez o mesmo com 2012. Depois, dividiu o resultado de 2013 pelo de 2012.

Já eu optei por um caminho diferente. Calculei quanto a renda aumento de dezembro de 2012 para janeiro de 2013, de janeiro para fevereiro etc, até chegar a dezembro de 2013. O resultado foi uma expansão de 3,2% acumulada no ano passado.

De qualquer modo, as duas formas de cálculo levam à conclusão destacada nesta postagem, de que o aumento médio anual da renda nos três primeiros anos do governo Dilma (de 3% ao ano no meu cálculo e 2,9% no do IBGE) foi superior ao registrado no segundo (3,1% no meu cálculo e 3,4% no do IBGE) e no primeiro mandato (-0,5% e -2,1%) de Lula.

Fonte: UOL

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O incentivo tributário dado pelo governo para aumentar as vendas de automóveis custou R$ 12,3 bilhões de renúncia do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os cofres do governo federal, mas não foi suficiente para reduzir o lobby da indústria automobilística, que pede atualmente novos incentivos para o setor de autopeças, máquinas e exportações.

A crise na Argentina e as restrições impostas pelo principal parceiro do Brasil no Mercosul devem diminuir as exportações brasileiras de veículos e servem agora como novo instrumento de pressão sobre o governo. Desde o estouro da crise internacional em 2008, foram 10 medidas de redução, prorrogação e retorno parcial do IPI. O imposto voltou a subir em janeiro de forma gradual e as alíquotas devem chegar ao patamar normal no segundo semestre do ano.

Levantamento obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, com dados ainda não divulgados pela Receita, mostra que o maior impacto das desonerações ao longo desse período ocorreu em 2013, de R$ 4,5 bilhões, justamente quando o governo mais precisou de arrecadação para fechar as contas.

Em xeque

A perda de arrecadação com as desonerações ajudou a derrubar o chamado superávit primário do setor público e colocou em xeque a política de corte de impostos adotada pelo governo para acelerar o crescimento do PIB.

As medidas de estímulo à economia não surtiram o efeito esperado nessa segunda etapa da crise financeira – depois de 2012 – mas o governo tem tido enorme dificuldade em acabar com os incentivos por conta da pressão das empresas. Nas últimas semanas, dirigentes da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) têm tido reuniões seguidas com autoridades com uma lista extensa de pedidos.

Tanto na avaliação do governo quanto dos representantes do setor a renúncia fiscal significou o aumento dos investimentos e do emprego. Segundo a Anfavea, o número de postos de trabalho ocupados no setor subiu de 144,6 mil no final de 2011 para 153,5 mil pessoas em dezembro de 2013 (mais 8,9 mil pessoas). O último dado disponível pela entidade mostra que os fabricantes investiram US$ 5,34 bilhões em 2012. Os números de 2013 ainda não foram fechados, mas o setor tem o compromisso de investir US$ 21 bilhões em quatro anos (2011-2014).

“É uma renúncia grande. Mas estamos acompanhando as contrapartidas em termos de investimento e manutenção do emprego e consideramos cumprido (o compromisso)”, avaliou a secretária de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Heloísa Menezes.

Demissões

Ela minimizou o impacto das demissões da General Motors (GM), mesmo com o compromisso das montadoras de não demitir. “A GM demitiu em São José dos Campos e contratou em outras unidades. No computo geral não houve demissão”,ponderou. Na sua avaliação, houve uma realocação da produção. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, argumenta que o compromisso de manutenção dos empregos é setorial e não por empresa.

Apesar de publicamente defenderem a política de desonerações, integrantes do Ministério da Fazenda não escondem o incômodo gerado com as demissões da montadora em 2012 e 2013. Nas duas vezes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou os dirigentes para prestar esclarecimentos.

Em defesa das desonerações, a Anfavea argumenta que o aumento das vendas, impulsionado pela queda do IPI, contribuiu para uma alta da arrecadação de outros tributos. Projeções da entidade mostram que o setor pagou R$ 8,2 bilhões a mais de PIS, Cofins, ICMS e IPVA por causa da redução do IPI entre maio de 2012 e dezembro de 2013. Pelos cálculos da Anfavea, os licenciamentos novos de veículos nesse período teria sido 1,48 milhão menor sem o corte do IPI. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: UOL

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira em Davos, na Suíça, que o Brasil “está muito bem preparado para volatilidades”, ao ser questionado pela BBC Brasil se a crise cambial na Argentina preocupa o governo brasileiro.

A Argentina viu sua moeda perder mais de 11% do valor na quinta-feira, a maior desvalorização diária desde 2002, em consequência de mais uma medida de restrição à saída de dólares do país, com a limitação da compra em sites estrangeiros em no máximo US$ 50 ao ano. Desde o início do ano, o peso argentino já se desvalorizou em mais de 20%.

Com isso, existe o temor de um possível contágio da crise para o Brasil, além do efeito de prejudicar a competitividade internacional dos produtos brasileiros de exportação em relação aos produtos argentinos, que ficam mais baratos em dólar com a desvalorização do peso.

“O Brasil está muito bem preparado para essas volatilidades. Temos, por exemplo, muitas reservas, ao contrário de outros paises”, disse Mantega, num intervalo do Fórum Econômico Mundial.

‘Não sai dinheiro’

“Nós temos um mercado futuro que tem regulado o câmbio. Não sai dinheiro do país. Nós temos um fluxo muito bom para o país”, afirmou. Segundo ele, o Brasil não tem problemas de fluxo de caixa, “tanto que nossas reservas estão mantidas no seu patamar”.

Questionado sobre as políticas adotadas pelo governo argentino, Mantega afirmou que “cada país adotou suas políticas” e que, em sua avaliação, a volatilidade cambial nos mercados emergentes em geral é consequência de uma projeção de um crescimento menor da China, o que afetaria os preços internacionais das commodities.

“Está ocorrendo uma certa volatilidade no mercado de câmbio, em vários países emergentes, uns mais e outros menos. Isso é reflexo principalmente da expectativa em relação à China”, disse o ministro, que em nenhum momento se referiu diretamente à Argentina em suas respostas.

“A expectativa de um crescimento talvez um pouco menor na China, coisa que não acredito, mexe com os países produtores de commodities, dos quais a China é compradora”, disse. “Cai o cobre, cai o minério de ferro, e é isso que afeta o câmbio desses países”, afirmou.

Fonte: UOL

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BRASÍLIA, 22 Jan (Reuters) – O governo federal arrecadou 118,364 bilhões de reais em impostos e contribuições em dezembro, acumulando no ano receitas recordes de 1,138 trilhão de reais por conta de recolhimentos extraordinários que acabaram minimizando as fortes desonerações no período.

Os números representam alta real mensal de 8,25 por cento e, no ano, de 4,08 por cento, informou a Receita Federal nesta quarta-feira.

Pesquisa Reuters feita com analistas mostrou que a mediana das expectativas era de que a arrecadação somaria 116 bilhões de reais no mês passado.

Em 2013, a arrecadação federal foi marcada pelo fraco crescimento da economia, baixa lucratividade das empresas e alta desoneração tributária.

No acumulado do ano, informou a Receita Federal, as desonerações resultaram em renúncia de 77,8 bilhões de reais. Só com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), deixaram de entrar nos cofres públicos 11,8 bilhões de reais em desonerações, definidas para tentar estimular o crescimento econômico.

Com o caixa baixo para cumprir a meta ajustada de superávit primário de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor público consolidado (governo central, Estados e municípios), o governo teve que recorrer às receitas extraordinárias.

Só com o Refis, programa de refinanciamento de dívidas tributárias, rendeu ao governo receita de 21,8 bilhões de reais no ano passado. Também foram recolhidos de forma extraordinária outros 6,6 bilhões de reais com Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), CSLL, Cofins e Pis, informou a Receita.

Só em dezembro, o resultado da arrecadação também foi favorecido por receitas extraordinárias de 14,3 bilhões de reais.

(Por Luciana Otoni)

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Fonte: BBC BRASIL

O desemprego no Brasil deverá continuar acima da média mundial pelo menos até 2016, segundo previsões da Organização Mundial do Trabalho (OIT) divulgadas nesta segunda-feira.

As estimativas preliminares da organização, incluídas no relatório Tendências Mundiais do Emprego 2014, indicam que a taxa de desemprego global atingiu 6% da população economicamente ativa mundial no ano passado, se mantendo estável em relação a 2012.

No Brasil, a OIT acredita que a taxa de desemprego atingiu 6,7% em 2013, cairá levemente neste ano para 6,6%, e chegará a 6,5% em 2015 e também em 2016. Já o índice global de desemprego deverá ser em média de 6,1% entre 2014 e 2016, nas previsões da organização.

Caso a projeção da OIT se confirme, o Brasil será o único país entre os integrantes do Bric (grupo formado por Brasil China, Índia e Rússia) a ter taxas de desemprego acima da média mundial pelos próximos dois anos.

Na China, o índice deve totalizar 4,6% em 2013 (e 4,7% neste ano). Na Índia, a taxa preliminar estimada é de 3,7% no ano passado (e de 3,8% em 2014), e, na Rússia, segundo os cálculos da OIT, o desemprego afetou 5,8% da população ativa em 2013.

Jovens

Segundo os últimos números oficiais disponíveis, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 7,4% no segundo trimestre de 2013. Até novembro, o desemprego acumulava alta de 4,6%.

Para este ano e o próximo, o FMI já havia divulgado estimativas mais otimistas do que as da OIT. Para o Fundo Monetário Internacional, o índice deve fechar este ano em 5,8% (portanto, abaixo da média global da OIT) e, em 2014, em 6% (exatamente a média de 2013).

Por sua vez, consultorias como a LCA e a Tendências prevêem uma taxa de desemprego neste ano de no máximo 5,7% neste ano.

O estudo da OIT afirma que o Brasil possui um alto índice de jovens entre 15 e 29 anos que não estudam ou fazem cursos profissionalizantes e, ao mesmo tempo, também não estão empregados: 18,4% das pessoas nessa faixa etária.

Em todo o mundo, 74,5 milhões de jovens com menos de 25 estariam desempregados. A taxa mundial nessa faixa etária atingiu 13% no ano passado, mais do que o dobro da média global de 6%, que inclui todas as idades.

Segundo a OIT, o número de novos desempregados aumentou em 5 milhões no mundo no ano passado, totalizando 202 milhões de pessoas sem emprego.

O leste e o sul da Ásia representam mais de 45% dos novos desempregados no mundo em 2013, seguidos pelo África subsaariana e pela Europa.

Na América Latina, o número de novos desempregados em 2013 ficou pouco abaixo de 50 mil, o que representa apenas cerca de 1% da alta mundial.

Déficit mundial

“A fraca retomada econômica mundial não suscitou a melhora dos mercados de trabalho. O crescimento do emprego permanece fraco e o desemprego continua aumentando, sobretudo entre os jovens”, diz o relatório.

“Vários setores registraram lucros, mas eles foram investidos nas bolsas e não na economia real, prejudicando as perspectivas de emprego no longo prazo”, afirma a OIT.

Outro aspecto importante destacado pelo relatório é o número de quase 23 milhões de pessoas que “abandonaram” o mercado de trabalho desde o início da crise financeira mundial, em 2008, “desencorajados” pela falta de propostas.

A OIT afirma que o “déficit mundial” de empregos ligado à crise continua aumentando desde 2008 e já totalizava, no ano passado, 62 milhões (32 milhões de novos desempregados, 23 milhões de “desencorajados” que desistiram de procurar um emprego e 7 milhões de inativos – que nem chegaram a procurar um trabalho.

“Segundo as tendências atuais, o desemprego mundial deverá se agravar, ainda que progressivamente, e ultrapassar 215 milhões de desempregados em 2018”, diz o estudo. Ou seja, 13 milhões de novos desempregados nos próximos quatro anos.

“Nesse período, cerca de 40 milhões de novos empregos vão ser criados a cada ano, o que é inferior aos 42,6 milhões de pessoas que deveriam ingressar, anualmente, no mercado de trabalho”, afirma a OIT.

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