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Racionamento de água cada vez mais inevitável

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Danilo Silva Pinto

Há muitos anos que se ouve que a água seria o motivo de conflitos num futuro distante. Parece que o futuro é agora!

Em meio a denúncias e negações, Governo e sociedade se vêem às voltas com uma crise inédita, cuja solução passa longe de ser conhecida. A falta d’água nas torneiras vem aumentando e todo o Brasil e assusta as pessoas, com a perspectiva cada vez mais evidente de que não teremos como evitar o racionamento de água. O nível dos reservatórios nunca esteve tão baixo e o consumo aumenta a cada dia. Além disso, o desperdício permanece como um fator de agravamento da crise. Afinal, qual a real situação do abastecimento de água no Brasil?

Segundo publicação no portal da Folha de São Paulo, especialistas informam que São Paulo já deveria adotar um racionamento moderado, como forma de controlar a crise de falta d’água no Sistema Cantareira.  Stela Goldstein, ex-secretária estadual de meio ambiente de São Paulo e Diretora da ONG Águas Claras, o cenário atual indica que “não há como afastar o racionamento” [de água]. A ambientalista lembra ainda que a crise de falta d’água é resultado também de um problema grave, estrutural e de longo prazo. “Os mananciais não apenas de São Paulo, mas de todas as grandes cidades, precisam ser mais protegidos. As empresas de saneamento por exemplo, não tem obrigação legal de preservar o entorno dos reservatórios” afirma Stela.

Especialistas apontam que as chuvas das próximas três semanas serão decisivas, para que se defina o rumo que deverão tomar a ações de controle do abastecimento e o pior é que a previsão do tempo não é nada animadora. A quantidade de chuvas prevista para grandes centros como São Paulo e Minas Gerais não será suficiente para recuperar o nível dos reservatórios e o risco de desabastecimento já no segundo semestre é iminente.

Outro fator importante neste contexto é a proximidade das eleições. Medidas drásticas podem ser necessárias em diversas regiões, mas a certeza de que um agravamento público da crise causará um efeito dramático na corrida eleitoral, municiando a oposição de argumentos para a conquista de votos, faz com que governantes busquem soluções alternativas e perigosas, como remanejar água de outros reservatórios, comprometendo o abastecimento futuro destas regiões.

Reservatórios do Sistema Cantareira em SP estão com 21% da capacidade

Reservatórios do Sistema Cantareira em SP estão com 21% da capacidade

O baixo nível dos reservatórios, principalmente nas regiões Sul e Centro Oeste afeta também a produção de energia, elevando o risco de o país precisar racionar parte de sua energia elétrica. A crise de abastecimento energético no início deste século, que levou o Brasil e enfrentar um enorme racionamento de energia, acabou por promover mudanças no comportamento do consumidor, que se tornou mais atento à necessidade de economizar. Apesar deste comportamento, o tempo se encarrega de apagar as lembranças e com elas o aprendizado da crise. Agrava-se esta percepção, ao observarmos que os adolescentes, nascidos durante ou após a crise do início dos anos 2000 não tiveram contato com o racionamento e são os maiores consumidores de energia na atualidade.

No que diz respeito ao comportamento do consumidor, o desperdício é sua maior contribuição para o problema. Apesar da crise iminente, as pessoas insistem em manter comportamentos que desperdiçam muita água. Lavar calçadas e carros com mangueira por exemplo é uma ação frequente em todas as cidades do Brasil. Além disso, banhos demorados, vazamentos não corrigidos, dentre outras atitudes, se mudadas em larga escala, trariam um grande alívio ao sistema e aos brasileiros.

Ou o Brasil assume a realidade e parte para ações concretas de solução dos problemas de abastecimento e reeducação de consumo, ou estaremos condenados a viver tempos de seca e escuridão.

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