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Socorro ao Rio Utinga, Governo libera R$ 1,4 M para restauração e revitalização

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) participou na última quinta (17) do II Mutirão de Reflorestamento do Rio Utinga, realizado pela Comissão Pastoral da Terra de Ruy Barbosa e o Assentamento São Sebastião de Utinga (MST), na Chapada Diamantina. Representantes de Lajedinho, Andaraí, Lençóis, Wagner, Utinga, Piritiba e Ruy Barbosa participaram do evento, que convidou esforços de todas as esferas pela preservação e restauração florestal na bacia, com plantio simbólico de mudas. Também foi lançada a Campanha de Conservação da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguaçu. Na oportunidade, o secretário estadual do Meio Ambiente, Geraldo Reis, anunciou investimento de R$ 1,4 milhão, fruto de um termo de compromisso firmado com o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), para implantação de projeto de restauração e revitalização do rio Utinga.

“Estamos trazendo aqui a proposta de alinhar com as entidades interessadas um projeto para a microbacia, conforme os pleitos já apresentados pelos indígenas Payayá e o Assentamento São Sebastião de Utinga, do MST, ambas as comunidades que vêm atuando em defesa da revitalização o rio. O recurso de R$ 1,4 milhão poderá restaurar cerca de 150 hectares de matas ciliares”, disse Reis. A chefe de gabinete da Sema, Iara Icó, reforçou que “o edital do projeto irá considerar os pleitos das comunidades e os conhecimentos tradicionais. Técnicos da Sema e Inema estão na região, mapeando áreas para restauração e incorporando as demandas locais para elaboração do Termo de Referência”. A região já foi objeto de investimentos anteriores da Sema, com o projeto Semeando Águas no Paraguaçu, realizado em parceria com a ONG Conservação Internacional.

O Rio Utinga tem cerca de 70 km de extensão e passa pelos municípios de Utinga, Wagner, Lajedinho, Lençóis e Andaraí. Sua nascente fica localizada na comunidade Cabeceira do Rio, comunidade indígena Payayá, onde se forma uma grande represa. Segundo o secretário de Agricultura de Wagner, Wanderley Almeida, “somando todos os assentamentos, cerca de 1200 famílias vivem na parte de baixo do rio e dependem dele para sua subsistência. O rio Utinga é essencial para seu desenvolvimento econômico e social”. Rogério Mucugê, da ong Conservação Internacional, lembrou que o Utinga é afluente importante do rio Paraguaçu, que por sua vez é responsável pelo abastecimento de cerca de 60% da água de Salvador.

“Aqui é a caixa d´água de Salvador, mas está secando. Não temos mais a mesma quantidade de chuvas e a fartura de água de antes. Novos tempos exigem novos comportamentos. Não podemos tratar a Chapada Diamantina como antes”, disse. A liderança do MST, Wilson Pianissola, historiou as secas recentes pelas quais passaram o rio, em 2016 e 2017, que fizeram o fluxo do rio ser interrompido pela primeira vez. “E o volume de água já está baixo novamente. Nossa luta agora é pela terra, pela água e pela vida”, disse.

Após o evento, o secretário Geraldo Reis e a comitiva da Sema e Inema visitaram a comunidade Cabeceira do Rio para conhecer a nascente do Utinga. O Cacique Juvenal Payayá contou que a vazão da nascente se mantém inalterável apesar das crises hídricas, e mostrou o trabalho feito pela comunidade, com o apoio do Governo do Estado, de retirada das taboas, de forma a evitar a cobertura do rio pelas plantas aquáticas e impedir seu fluxo. A liderança indígena ressaltou o cuidado do trabalho, que não provocou impactos às margens e matas ciliares existentes.

“Nós índios acreditamos que Deus está presente na água. Nós queremos respeito pela vida”, afirmou o cacique Juvenal Payayá. O secretário do Meio Ambiente realizou ainda um rápido encontro com produtores agrícolas da região, também preocupados com a questão hídrica na Chapada Diamantina. Com propriedades rurais de cerca de 10 hectares, eles produzem, especialmente, frutas, como a banana. A construção de um barramento, com o objetivo de perenizar o rio e garantir a continuidade da geração de emprego e renda na região, foi o pleito apresentado pelos produtores. As informações são da Sema.

O Rio Utinga sempre foi a referência hídrica da região e por muitos anos socorreu as cidades vizinhas com carros pipa na época das secas, mas hoje é ele quem agoniza, secando rapidamente, em meio ao uso desordenado de suas águas na agricultura e pelo desmatamento de suas margens.

No último dia 20 uma foto assustou moradores da cidade de Wagner-BA. No mesmo local em que, anos atrás, um adulto seria encoberto pelas água, hoje um cavalo atravessa sem que a água lhe cubra os cascos completamente. Levando em consideração que não estamos no período de seca, a situação de fato preocupa e muito.

Moradores de cidades banhadas pelo Rio Utinga realizam campanhas em redes sociais, na busca de sensibilizar governantes para o problema e parece, que deu resultado. Enfim, o socorro promete chegar.

Texto de Salvador Roger, com adaptações

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